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Uma dica preciosa

09/05/2010

Por Tati Bortolozi

Negra, obesa, grávida aos dezesseis anos, abusada pelos pais, com AIDs e um filho com Síndrome de Down. Os temas, que parecem elencados para uma reportagem de domingo de algum jornal sensacionalista, aparecem com toda a força no filme Preciosa (Precious – 2009). Antes de desanimar e achar que os assuntos são pesados demais para uma tarde de domingo, ou mesmo para um mesmo filme, saiba que o diretor Lee Daniels soube dar à produção as pitadas lúdicas exatas em meio a este drama tão profundo. A história, emocionante e com atuações ‘anônimas’ brilhantes, fica na memória.

O filme não é o primeiro, nem será o último, a enquadrar temas polêmicos como a gravidez e o abuso sexual. O que surpreende, no entanto, é a capacidade que o roteiro teve em conectar a pluralidade de assuntos-tabu em um só filme, sem que o espectador perdesse o interesse ou o fio da meada.

No enredo, Claireece Precious Jones (a estreante Gabourey Sidibe) é uma adolescente que sofre diariamente com o analfabetismo e a falta de perspectivas em uma vida doméstica em que é violentada sexualmente pelo pai( Rodney Jackson) e abusada pela mãe (Mo’Nique). Vivendo em uma realidade tão fria, Preciosa se pega imaginando como seria sua vida se fosse uma cantora ou atriz de sucesso. O clichê, que aparece durante toda a produção, serve para arejar um pouco a atmosfera de tanto sofrimento. Preciosa precisa sonhar com dias melhores. Envolvidos, nós sonhamos junto com ela.

Grávida do segundo filho com seu pai -o primeiro nascera com Síndrome de Down – a adolescente é expulsa do colégio e encaminhada à uma escola alternativa. Lá, aprende a dimensão de ser reconhecida como pessoa ao mesmo tempo em que se reconhece através das primeiras letras que lê e escreve.

Com atuações belíssimas de Gabourey Sidibe e Mo’Nique, a cena mais comovente, para mim, fica com a dupla no encontro com a psicóloga interpretada por Mariah Carey que, sem maquiagem, chegou a deslocar para si alguns desmerecidos holofotes.

Retomando alguns posts sobre o papel das mulheres na arte, seja literária, cinematográfica ou jornalística, mais uma vez vale a pena pensar em como a educação e a coragem são capazes de mudar a realidade, dentro ou fora das telas.

E você, o que pensa sobre o assunto, ou mesmo sobre o filme? Comente!

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As Filhas sem nome

08/05/2010

por Carolina Bossoni

A mais recente obra da escritora chinesa Xinran (autora do livro As boas mulheres da China) conta a história de três (de um total de seis) irmãs que saem da província rural de Anhui para a cidade de Nanjing à procura de emprego e melhores oportunidades.

As irmãs do livro não têm nome. De acordo com a história o seu pai tem tanta vergonha de ter gerado seis filhas e nenhum filho que não se preocupou em dar nomes a elas, que ficam conhecidas pela ordem do seu nascimento. As irmãs que vão para a cidade são a três, a cinco e a seis. O livro é baseado em histórias reais que Xinran ouviu em sua cidade natal. A narrativa nos mostra elementos da cultura chinesa após a Revolução Cultural. E mostra também as discrepâncias entre a vida de mulheres chinesas do campo e das cidades.

As filhas sem nome nos conta como estas moças venceram inúmeros desafios e superaram, acima de tudo, o estigma de ser mulher em uma cultura que supervaloriza o nascimento de filhos homens e onde os casamentos ainda são arranjados e as mulheres não têm direito de controlar seu próprio destino.

Alguns trechos do livro:

pg.20

“Começa em uma manhã fria de fevereiro, quando uma garota de dezenove anos chamada  Sanniu, que significa “três” em chinês, se viu de pé ao lado do salgueiro, estarrecida devido ao movimento de gente ao seu redor. Três estava fugindo de casa porque seus pais planejavam casá-la com o filho aleijado de um oficial do governo local. Tivera sorte.”

pg. 32

“Li Zhongguo, conhecido no vilarejo como Irmão Li Um, era um homem que jamais sorria. Embora fosse o mais velho dos filhos Li, o fato de que tivera seis filhas significava que ele jamais poderia caminhar de cabeça erguida como um verdadeiro homem, mas, em vez disso, tinha que se curvar  aos seus irmãos mais novos e aceitar um status mais baixo na família.”

pg.130

“As palavras de Cinco chamaram Três e Seis à realidade. Não era culpa dela não ter ido à escola. Os dois anos que Três passara na escola primária foram extremamente difíceis para a família, que mal teve dinheiro para comprar óleo de cozinha.”

pg.168

“De início Seis pensou que o casal era simplesmente ganancioso, querendo acrescentar mais livros à sua coleção pessoal. Afinal de contas, Meng dissera que ainda tinha muitas perguntas a responder. Mas à medida que o tempo passava, ela ouvia alguns clientes dizendo coisas como “Este livro ainda é proibido, mas a proibição quanto a este foi retirada”, e só então ela entendeu por que nem todos os livros podiam ser oferecidos para as pessoas lerem.”

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Ao som de Bublé…

03/05/2010

Por Mari Matsunaga

Michael Bublé atualmente é considerado um dos maiores cantores do jazz. O cantor nasceu em 1975, no Canadá, cresceu ouvindo a coleção de jazz de seu avô materno. Quando pequeno, já demonstrava determinação em seguir a carreira de cantor. Aos 15 anos, Bublé assumiu sua paixão pela música e recebeu o apoio de toda sua família. No início da carreira, o cantor trabalhou em muitos eventos ao mesmo tempo que se apresentava em casas noturnas. Em 1997 apareceu na televisão em rede nacional, em um documentário e dois anos depois participou de um musical em Toronto.

No ano de 2000, Bublé foi indicado ao Genie Award pois duas de suas músicas estavam no filme “Here’s to life”. Porém as coisas não andavam bem, e Bublé pensou em desistir da carreira musical e se dedicar a faculdade de jornalismo. Depois de se apresentar em uma festa de negócios, teve a sorte de estar no lugar e na hora certa, um encontro com o produtor musical e o executivo da Warner Bros, David Foster. Depois de muitas conversas e negociações, o cantor estava com contrato fechado com a gravadora. Logo, suas músicas tomaram conhecimento internacional, conquistando Disco de Platina em vários países, entrando na lista da Billboard e conquistando disco de ouro nos Estados Unidos.  

Bublé já esteve no Brasil, e algumas de suas músicas fizeram parte de trilha sonora de novelas globais, como Fever em Kubanacan (2003), You will never find another love like mine em Celebridades, Crazy little thing called love na novela Cor do Pecado (2004), Home em América, Me and Ms. Jones em Paraíso Tropical (2007) e Sway em Três Irmãs (2008). 

 

Os principais álbuns de Bublé são Michael Bublé (2003), It’s time (2005), Call me irresponsible (2007) e Crazy love (2009). Atualmente o cantor está em turnê pelo Reino Unido.  

Música de trabalho. 

Site Oficial: http://www.michaelbuble.com/

Myspace: www.myspace.com/michaelbuble

Bublé Brasil: www.bublebrasil.com.br

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29/04/2010

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Passando calor com Alice em 3D

27/04/2010

por Carol Bossoni

Este post deveria ter saído na sexta, mas como Alice no País das Maravilhas é um dos filmes mais aguardados do ano, eu dei de cara com a bilheteria dos cinemas sem ingressos durante todo o fim de semana. Consegui, enfim, assistir  Alice no domingo à noite no Shopping Santa Cruz.

No filme de Tim Burton, Alice já tem 19 anos e as responsabilidades da vida adulta estão começando a perturba-la, até que ela vê de novo o Coelho Branco e volta ao País das Maravilhas.

Alice no país das maravilhas é bonito. Visualmente falando. Os cenários são coloridos e com toda aquela cara de fantasia que  a obra pede, os figurinos também são bem elaborados e a maquiagem dos personagens é extravagante e tudo tem aquela cara de Tim Burton. Outra coisafez os meus olhinhos brilharem foi o fato de que tudo está lá, a lagarta azul, o gato risonho, os gêmeos,os soldados de copas, a rainha vermelha (que é na verdade uma mistura da rainha vermelha do “Através do espelho” e a rainha de copas) e seu famoso “Cortem-lhe a cabeça”, o jogo dos flamingos e tudo o que eu lembrava do desenho e do livro.

O ponto fraco do filme é o roteiro, a história não é lá das mais originais, tanto que o final do filme já nos é revelado nas primeiras cenas que se passam no País das Maravilhas. Embora isso não tire a diversão da película. Já uma boa surpresa foi a presença do ator Crispin Glover. Ele faz o Valete  Stayne em Alice e é o George McFly, pai do protagonista Marty McFly,  do clássico “De volta para o futuro”

O único real problema que encontrei ao assistir Alice no País das Maravilhas foi o cinema. O Cinemark do Santa Cruz é muito ruim, começa na compra dos ingressos. O cinema não adotou os lugares marcados, então mesmo comprando o ingresso com bastante antecedência ainda precisei enfrentar uma fila e batalhar por uma poltrona. Graças a isso só consegui um lugar no canto da sala, em cima do corredor por onde as pessoas entram. De lá era impossível assistir ao filme confortavelmente pois bem na frente de onde aparecem as legendas, do meu ponto de vista, havia uma barra de ferro que me impedia de vê-las e cortava um pedaço da tela. Tive que assistir ao filme toda esticada, parecendo um Suricate de vigia.

O ar condicionado da sala não estava funcionando e nenhum funcionário avisou do problema, nem na compra dos ingressos e nem na entrada da sala. Você, caro leitor, pode imaginar o forno que uma sala toda fechada forrada por tapetes pode se transformar. Além destes problemas ainda havia uma mancha bem no meio da tela que ficou incomodando o tempo todo. E  a projeção 3D deste cinema também não é lá grande coisa. Todas as cenas em que havia maior velocidade saíram de foco. Definitivamente não recomendo.

Enfim, Alice vale a pena e o valor do ingresso, mas não no cinema do Shopping Santa Cruz.

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La niña mala

25/04/2010

Por Tati Bortolozi

Romance do escritor peruano Mario Vargas Llosa, Travessuras da menina má inspira a pensar o amor em suas últimas circunstâncias, nos sacrifícios que ele nos impõe, nas  maneiras que ele subjuga, entorpece, transforma, amadurece.

Escrito em 2006, o livro tem um tom levemente autobiográfico, pois, assim como Llosa, o protagonista, um idoso escritor, inspirado pelo amor, faz um balanço de sua vida sentimental. Com descrições encantadoras e um pano de fundo composto por nada menos que cidades como Lima, Paris, Londres, Tóquio e Madri, a história gira em torno do amor entre Ricardo Somocurcio, um tradutor, e Lily, a niña mala. Para ele, a felicidade é viver em Paris e amar a sua peruanita. Para ela, vale tudo: ser aprendiz de revolucionária em Paris e na Havana dos anos 60, casar com um milionário britânico ou ser amante de um mafioso japonês; tudo isso pensando em ter uma vida melhor.

Ricardito não esconde que ama Lily desde sua infância, quando ela ainda era uma garotinha pobre de Lima que fingia ser rica para conquistar a amizade dos vizinhos. Ela cresce e torna-se uma mulher sedutora, que não hesita em fugir, mudar de identidade ou fazer o que for para garantir um futuro com mordomias.

Ele, em toda sua paixão, apenas se submete aos desejos dela. Ela prefere amar à si própria primeiro, não quer se envolver, prefere sumir sem deixar pistas a qualquer instante. A menina má é realmente muito má sentimentalmente, mesmo para os mais descrentes no amor.

A narrativa ágil e simples conduz por um universo de incertezas, de uma paixão  indefinida, com mil faces. Os personagens secundários são comoventes, como os vizinhos do apartamento de Paris, Simon e Elena, ou o velho da praia de Lima que conversa com as ondas. Confesso que o livro me conquistou a partir da metade para o final, que é quando o passado dos amantes é resgatado e eles, já velhos, pensam no que viveram e em como será o futuro. O desenlace de um amor tão turbulento que durou 40 anos é sempre instigante.

A obra pode não ser o que de melhor foi feito pelo escritor, jornalista e dramaturgo peruano, mas guarda em si a inquietação e a paz do amor, o gosto da paixão e os questionamentos do que é preciso ser ou fazer para amar alguém de verdade. E apesar de tantos questionamentos, ainda é possível ler a última página e sentir o coração aquecido, cheio de tranqüilidade.

Trechos do livro:

– “Felicidade, eu não sei nem me interessa saber o que é, Ricardito. Mas tenho certezade que não é essa coisa romântica e brega que você imagina. O dinheiro dá segurança, proteção, permite aroveitar a vida sem se preocupar com o amanhã. É a única felicidade que se pode apalpar” – página 63

“(…) ela me oferecu os lábios. Eram grossos e sensuais, e senti, nos segundos que ficaram encostados nos meus, que se moviam devagarinho, numa carícia suplementar, cheia de incitações. (…) Dei adeus e ela sacudieu a mão que empunhava a sobrinha florida. Bastou vê-la para descobrir que, naqueles anos, eu não a tinha esquecido um único momento. Estava tão apaixonado como no primeiro dia”. – página 48

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Ao som de Tiago Iorc…

19/04/2010

Por Mari Matsunaga

Tiago Iorc é um jovem cantor de 24 anos, nascido no Brasil, porém se mudou ainda pequeno para Inglaterra, e depois para os Estados Unidos onde cresçeu e descobriu sua vocação para a música. Hoje Tiago vive no Rio de Janeiro.

Tiago teve seu sucesso anunciado no Brasil com a música Nothing but a song que narrou a história do casal central de Malhação, e a mesma música também foi tema de abertura do filme “Se eu fosse você 2”. Outra canção, Scared, entrou como trilha sonora da novela Duas Caras em 2008. No mesmo ano, Blame fez parte de A Favorita, e Tiago lançou seu primeiro CD. My girl (da banda The Temptations), é a música atual do cantor que está na novela Viver a Vida, sucesso antigo regravado por Tiago.

Let Yourself In, primeiro álbum de Tiago, possui músicas que refletem sua personalidade, experiências vividas além de canções de sua autoria, possui 11 faixas, incluindo as músicas de sucesso.

 

Fica aqui a dica, escutem Tiago Iorc! Visitem os sites abaixo.

Site Oficial: http://tiagoiorc.com/

Myspace: http://www.myspace.com/tiagoiorc

Letras de músicas: http://vagalume.uol.com.br/tiago-iorc/

Fã clube: http://www.faclubetiagoiorc.com/

Flikr (fotos do cantor): http://www.flickr.com/photos/faclubetiagoiorc/

Twitter: http://twitter.com/Tiago_Iorc

My Girl (música de trabalho)